Escrevo estas palavras em silêncio, no último dia do ano. Quando o ruído diminui, quando as luciões das festas ainda não começaram e resta apenas o tempo para pensar. É nesse espaço, raro e honesto, que fazemos as contas de verdade, não com os outros, mas conosco mesmos.
Este ano não me ensinou tanto sobre chegar, mas sobre continuar. Houve dias em que a meta parecia distante, outros em que perdeu completamente o sentido. Houve momentos em que avançar significava apenas não desistir. E hoje sei que isso também conta, mesmo que ninguém veja.
Aprendi que o processo cansa. Desgasta. Às vezes machuca. Não aparece nas fotografias nem nas frases bonitas de fim de ano. Mas é ali que se forma aquilo que realmente somos. É no processo que se perde a ingenuidade e, se tivermos sorte, se ganha consciência.
Nem todas as escolhas foram fáceis. Nem todas foram certas. Mas quase todas foram feitas tentando permanecer fiel a mim mesmo. E, olhando agora para trás, percebo que isso vale mais do que qualquer resultado que possa ser exibido.
Há metas que não alcancei. E há outras que, felizmente, deixei para trás. Porque crescer também significa abandonar certos desejos, certas ambições que já não nos representam. O processo ensina isso: a mudar sem nos trair.
À meia-noite, muitos vão brindar ao que está por vir. Eu brindo ao que foi atravessado. Aos dias difíceis, às dúvidas, às quedas silenciosas. Brindo à capacidade de ter ficado de pé quando seria mais fácil ceder ou fingir.
O ano termina, e não levo comigo todas as respostas. Levo, sim, uma certeza: não sou a mesma pessoa que começou este caminho. E talvez seja esse o verdadeiro sentido do tempo.
Por isso escrevo, quase em voz baixa, antes que o ano acabe: a meta é importante. Mas é o processo que fica. É o processo que nos salva.
Raimondo Schiavone















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